Para complementar um pouco o nosso assunto, e para que possamos entender melhor o lado do judeu na guerra, vamos ter um relato sobre Max Vandenburg, um judeu que viveu durante a segunda guerra mundial e que como sabemos se abrigou no porão da casa de Liesel num pleno período de nazismo. Ele nos contará um pouco como foi viver nessa guerra e ainda por cima sair dela vivo.
E: Bom dia Max, meu nome é Lucca, obrigado por estar aqui hoje, você poderia nos contar como foi chegar à casa de Liesel sem ser pego por nenhum nazista?
Max: “Bom dia Lucca, o prazer é todo meu. Foi muito angustiante chegar até a casa de Liesel porque eu tive que esperar muito tempo para que tudo desse certo. Tivemos que planejar tudo nos mínimos detalhes para que nada desse errado, pois bastava um pequeno deslize para que as coisas acabassem muito mal para ambos os lados. A pior parte foi ter que andar pela Rua Himmel, onde se localizava a casa, pois eu estava à vista de todos e alguém poderia me ver entrando, além de que, eu estava com medo de qual seria a reação da família que me acolheria.”
E: Entendo... Como foi essa relação entre você e está família que te acolheu?
Max: “No começo todos estavam com um pouco de receio e de medo também, mas aos poucos tanto eu quanto a família de Liesel estávamos nos entendendo cada vez mais. Posso dizer que nossa relação era bem afetiva e amigável, e não acho que seria possível que alguém fizesse tudo o que fizeram por mim melhor do que eles”.
E: Ficamos sabendo que você e a Liesel tinham um carinho muito grande um pelo outro, você pode nos contar um pouco sobre isso?
Max: “Nossa relação era realmente muito boa. Ela me ajudou quando eu estava escondido em seu porão me fazendo companhia. O jeito que ela lidava com as palavras e amava os livros me fascinava. O pouco tempo que passamos juntos foi muito importante para estabelecer uma relação tão fraterna e duradoura”.
E: Como você lidava com a situação de ficar tanto tempo isolado no porão sem poder ao menos ver como estava o céu?
Max: “Eu sempre sentia muita vontade de sair e sentir realmente como era a liberdade, mas isso era arriscado demais. Liesel, Hans e Rosa estavam sempre me ajudando a lidar com isso, como por exemplo, Liesel me fazia companhia assim que chegava da escola, e me dava uma previsão meteorológica. Além da ajuda deles, eu mesmo aabava passando grande parte do meu tempo escrevendo, fazendo flexões ou imaginando coisas”.
E: Max, você passou um período preso no campo de concentração, como foi para você ficar trancado lá dentro?
Max: “Não foi nada agradável. O campo de concentração tem condições muito ruins, seja de moradia, alimentação ou de higiene. Nós judeus éramos tratados como escravos e muitos de nós eram torturados, levados para câmeras de gás e torturados de diferentes formas, a maioria completamente assustadoras; eu ainda tenho pesadelos e acordo suando frio, mas me lembro que todo aquele sofrimento já acabou. Eu tive muita sorte de sair de lá vivo”.
E: Realmente não deve ter sido nada fácil. Tivemos a informação de quando vocês, judeus, estavam sendo escoltados para um campo de concentração, e passaram pela Rua Himmel. Assim que o viu, Liesel foi ao seu encontro. Você poderia contar como foi vê-la e as consequências que esse ato levou para ambos?
Max: “Bem, naquela época era extremamente perigoso manter contato com um judeu, como você sabe. Aliás, qualquer forma de estar perto de um judeu seria considerado traição. Quando Liesel entrou naquela procissão de judeus e me abraçou, ela mostrou a todos que era amiga de um judeu, como também que estava desafiando os oficiais nazistas. Você pode imaginar o que aconteceu não é? Assim que o primeiro soldado a viu, logo a empurrou para fora dali, mas teimosa do jeito que ela é, a menina continuou andando, a meu lado. Acabou por ser considerado uma infração, e ambos fomos chicoteados. Eu não estava preocupado comigo mesmo, e sim com Liesel. Fui arrastado embora, e não pude fazer nada. O dia em que eu sai do campo de concentração e nos reencontramos, foi um dos melhores momentos da minha vida”.
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