terça-feira, 9 de abril de 2013

Uma Guerra na Vista de Todos


A Segunda Guerra Mundial trouxe  consequências imensas para  toda a sociedade daquela época. As pessoas acabaram sentindo os efeitos da guerra, seja direta ou indiretamente. Grande parte da população dos países envolvidos sofreu, seja por bombas, por fome, pelo nazismo em si, ou pelo combate. 

Hitler juntamente com o símbolo do nazismo

Quando ouvimos falar sobre a Segunda Guerra Mundial, pensamos em nazismo e na morte de muitos judeus, nas mãos de Hitler. Mas existe muito mais por trás disso. Qualquer Guerra, mesmo que não pareça, não afeta somente os soldados, e a Segunda Guerra, não afetou só os judeus. 
Existe muito mais por trás desse grande combate que foi a Segunda Guerra Mundial do que mortes no campo de combate, ou nos campos de concentração. Muitas famílias alemãs, que muitas vezes não concordavam com seu governante nazista acabaram sendo mortos durante a  guerra. Seja bombardeados ou seja pela miséria que os  envolveu . 
A Segunda Guerra Mundial pode ser considerada como um dos maiores massacres humanos de toda a história. Além de todas as pessoas que morreram durante a guerra, tivemos o extermínio de raças pelo regime nazista. 
O nazismo foi um processo político pelo qual a Alemanha passou durante as épocas de 1933 - 1945. Durante esse processo, Hitler (que deu origem ao nazismo) acabou por perseguir judeus, negros e homossexuais, alegando  que eles eram o motivo da miséria pela qual a Alemanha estava passando. 
Quando dizemos que não foram somente os soldados que morreram durante a guerra, queremos dizer que houve também um genocídio de uma religião. Os judeus foram  terminantemente perseguidos e massacrados pelos soldados de Hitler, durante o período em que governou a Alemanha. 
O nazismo acabou por desencadear a Segunda Guerra Mundial. Isso ocorreu quando as tropas alemãs invadiram a Polônia com ideais expansionistas. Quando a invasão ocorreu, Inglaterra e França declararam guerra à Alemanha. A partir daí, as alianças foram formadas, e foi um lançar fogos de ambos os lados. 
Durante a guerra, toda a sociedade passou por mudanças. Grande parte da população pobre, teve seus problemas intensificados. Além de que houve bombardeios pelas cidades, destruindo casas e matando muitas pessoas, deixando quase sempre poucos sobreviventes. Esse foi o caso de Liesel Memimger, uma menina que viveu na Alemanha nazista em plena juventude. A cidade da menina foi bombardeada, e sua rua foi completamente devastada. A criança de 14 anos já morava com pais de criação, pois os seus pais biológicos participavam do Partido Comunista (o qual era perseguido por Hitler), mas quando ela perdeu todos a quem conhecia: seu melhor amigo, sua família, uma senhora para a qual lia toda a semana, ela se encontrou sozinha e desamparada no meio de uma guerra. 
Nesses aspectos podemos ver que, apesar de ser apenas uma menina que vivia em um bairro pobre na Alemanha e não concordava com os pensamentos de Hitler, ela acaba sofrendo as consequências da guerra. E Liesel não foi a única a perder os que conhecia no  desastre da guerra. 
Max, um judeu lutador, fugiu durante anos de soldados nazistas, acabando por se esconder numa casa de família, vivendo em seu porão. A cada dia que se passava ele se sentia mais culpado por ter deixado sua família de lado para fugir, e ainda por colocar outras pessoas por quem ele sentia afeto em perigo, se escondendo em seu porão. A questão é que a casa de quem ele se escondia, era a mesma casa onde residia a família de Liesel. 
            Depois de um confronto entre o pai de Liesel, e um soldado nazista, Max teve que ir embora, e acabou sendo capturado e levado para um campo de concentração. Mas tudo acabou bem para ele, pois saiu vivo de lá, quando a Guerra chegou ao seu fim. 
Analisando a situação, podemos perceber que as famílias sofreram consequências indiretas e diretas da guerra. Consequências indiretas como a miséria pela qual tiveram de passar, pelo medo constante de serem bombardeados ou mandados para a guerra, além de terem de se esconder em abrigos durante ataques aéreos. 
Diretamente, podemos destacar o bombardeio das cidades, a perda de familiares que estavam nas batalhas, ou que se suicidaram, depois que voltaram (leia mais no box), e, no caso de algumas famílias, esconder judeus em seus porões.
Box: 
 
Mas, esconder um judeu era profundamente perigoso. Manter contato com um judeu já era considerado traição pelo Partido Nazista. "Max, pela nossa amizade, por favor, pare de me enviar cartas. Eu temo pela minha vida", diz Martin ao seu amigo judeu (coincidentemente também chamado Max), que lhe envia cartas dos Estados Unidos, assinando seu sobrenome de origem judaica. Martin havia acabado de voltar para a Alemanha, e acabara de se filiar ao Partido Nazista. Max, ao saber que Martin não havia ajudado a salvar sua irmã dos soldados de Hitler fica enfurecido com o  amigo e para se vingar, assina seu nome inteiro e envia as cartas. Porém, as mesmas eram censuradas. 
Martin acabou sendo levado, junto com sua família, pelo Partido Nazista, por ser amigo de um judeu, e o que aconteceu com eles é um fato desconhecido. Mas ao longo dessa história, podemos observar que Martin fala a Max que Hitler é um bom líder, e que ele realmente vai tirar a Alemanha da miséria. Por um lado, Hitler foi bom para os alemães, pois ajudou na crise profunda pela qual a Alemanha se encontrava. Mas seus fins eram sem escrúpulos. 
Podemos perceber então, que muitos que se filiavam ao partido acreditavam no seu líder, alguns se filiavam por medo, ou nem se filiavam, mas também não contradiziam. Mas ainda havia outros que não entendiam o que estava acontecendo. Esse foi o caso de Bruno, um menino filho de um Chefe de Exército que abrigava um campo inteiro de concentração nos fundos de sua casa.
Ele era um jovem explorador, que não entendia a fase pela qual a Alemanha passava, e acreditava que o campo de concentração era um ótimo lugar. Bruno acabou conhecendo um menino judeu, que ficava do outro lado do arame farpado, que delimitava o campo, e se tornou amigo dele. Mas, quando o menino judeu diz que não consegue encontrar o pai dele, Bruno resolve ajudar e acaba entrando no campo de concentração, e vê a realidade com seus próprios  olhos infantis.
Mas Bruno, não teve tempo de refletir sobre isso, porque ele acaba sendo confundido com um dos milhares de judeus, e é levado, junto com seu amigo para uma câmara de gás, onde acaba morrendo asfixiado.
Com essa história, podemos compreender que as coisas também não eram boas para os filhos dos nazistas. Pelo contrário, Bruno duvida muitas vezes se o seu pai realmente é uma boa pessoa. Podemos ver que mesmo as crianças sofreram as consequências da guerra, assim como os nazistas que perderam parte de sua família.
Analisando todas as histórias juntas, percebemos que a guerra abrangeu diversos grupos da sociedade. Temos o lado de uma criança que não tinha nenhuma influência sobre a guerra, e mesmo assim acaba perdendo a todos; temos o lado do judeu, que vive uma angústia, sem escapatórias; temos o lado do nazista, que vê em Hitler uma salvação para a Alemanha, e pensa que a morte de todos esses judeus, negros, homossexuais, comunistas e traidores, é um mal necessário; temos o lado de um outro judeu, que escapa da guerra, e que coloca toda a sua amizade de lado pela sua família, mesmo que seu amigo não tivesse como ajudar; também temos o lado do menino filho de um nazista, que é pequeno demais para entender o que está acontecendo, e tem um final trágico, sem nenhum porque; e ainda temos o lado de um menino judeu, que se torna amigo do filho do nazista dono de seu cárcere, que também não entende plenamente o que está se passando, e nem o porque de estar ali.
A guerra foi avassaladora, e teve um imenso número de mortos em todo o seu processo. Famílias foram mortas, pessoas foram mortas, crianças, e bebês. Para várias pessoas, não havia escapatória.
Mas  para isso houve um fim. A Segunda guerra Mundial chegou ao  fim dramaticamente em 1945, quando o Japão se rendeu, após  ter sido atingido por duas bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos.
As Guerras mataram e continuam matando  muita gente, as suas circunstâncias  também. 

Imagens da Segunda Guerra

Cidades devastadas depois de ataques
Bombardeio na Segunda Guerra Mundial
Judeus mortos
Armamentos, como tanques, que foram usados na Segunda Guerra
Hitler - Líder da Alemanha na época do nazismo





segunda-feira, 8 de abril de 2013

Entrevista - Max Vandenburg


Para complementar um pouco o nosso assunto, e para que possamos entender melhor o lado do judeu na guerra, vamos ter um relato sobre Max Vandenburg, um judeu que viveu durante a segunda guerra mundial e que como sabemos se abrigou no porão da casa de Liesel num pleno período de nazismo. Ele nos contará um pouco como foi viver nessa guerra e ainda por cima sair dela vivo.

E: Bom dia Max, meu nome é Lucca, obrigado por estar aqui hoje, você poderia nos contar como foi chegar à casa de Liesel sem ser pego por nenhum nazista?
Max: “Bom dia Lucca, o prazer é todo meu. Foi muito angustiante chegar até a casa de Liesel porque eu tive que esperar muito tempo para que tudo desse certo. Tivemos que planejar tudo nos mínimos detalhes para que nada desse errado, pois bastava um pequeno deslize para que as coisas acabassem muito mal para ambos os lados. A pior parte foi ter que andar pela Rua Himmel, onde se localizava a casa, pois eu estava à vista de todos e alguém poderia me ver entrando, além de que, eu estava com medo de qual seria a reação da família que me acolheria.”

E: Entendo... Como foi essa relação entre você e está família que te acolheu?
Max: “No começo todos estavam com um pouco de receio e de medo também, mas aos poucos tanto eu quanto a família de Liesel estávamos nos entendendo cada vez mais. Posso dizer que nossa relação era bem afetiva e amigável, e não acho que seria possível que alguém fizesse tudo o que fizeram por mim melhor do que eles”.

E: Ficamos sabendo que você e a Liesel tinham um carinho muito grande um pelo outro, você pode nos contar um pouco sobre isso?
Max: “Nossa relação era realmente muito boa. Ela me ajudou quando eu estava escondido em seu porão me fazendo companhia. O jeito que ela lidava com as palavras e amava os livros me fascinava. O pouco tempo que passamos juntos foi muito importante para estabelecer uma relação tão fraterna e duradoura”.

E: Como você lidava com a situação de ficar tanto tempo isolado no porão sem poder ao menos ver como estava o céu?
Max: “Eu sempre sentia muita vontade de sair e sentir realmente como era a liberdade, mas isso era arriscado demais. Liesel, Hans e Rosa estavam sempre me ajudando a lidar com isso, como por exemplo, Liesel me fazia companhia assim que chegava da escola, e me dava uma previsão meteorológica. Além da ajuda deles, eu mesmo aabava passando grande parte do meu tempo escrevendo, fazendo flexões ou imaginando coisas”.

E: Max, você passou um período preso no campo de concentração, como foi para você ficar trancado lá dentro?
Max: “Não foi nada agradável. O campo de concentração tem condições muito ruins, seja de moradia, alimentação ou de higiene. Nós judeus éramos tratados como escravos e muitos de nós eram torturados, levados para câmeras de gás e torturados de diferentes formas, a maioria completamente assustadoras; eu ainda tenho pesadelos e acordo suando frio, mas me lembro que todo aquele sofrimento já acabou. Eu tive muita sorte de sair de lá vivo”.

E: Realmente não deve ter sido nada fácil. Tivemos a informação de quando vocês, judeus, estavam sendo escoltados para um campo de concentração, e passaram pela Rua Himmel. Assim que o viu, Liesel foi ao seu encontro. Você poderia contar como foi vê-la e as consequências que esse ato levou para ambos?
Max: “Bem, naquela época era extremamente perigoso manter contato com um judeu, como você sabe. Aliás, qualquer forma de estar perto de um judeu seria considerado traição. Quando Liesel entrou naquela procissão de judeus e me abraçou, ela mostrou a todos que era amiga de um judeu, como também que estava desafiando os oficiais nazistas. Você pode imaginar o que aconteceu não é? Assim que o primeiro soldado a viu, logo a empurrou para fora dali, mas teimosa do jeito que ela é, a menina continuou andando, a meu lado. Acabou por ser considerado uma infração, e ambos fomos chicoteados. Eu não estava preocupado comigo mesmo, e sim com Liesel. Fui arrastado embora, e não pude fazer nada. O dia em que eu sai do campo de concentração e nos reencontramos, foi um dos melhores momentos da minha vida”.